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"Ausência"

Terça-feira, 11.12.07

Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava,ignorante,a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência

a ausência é um estar em mim.

E sinto-a,branca,tão pegada,

aconchegada nos meus braços,

que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência ,essa ausência assimilada,

ninguém a rouba mais de mim.

de, Carlos Drummond de Andrade

Solidão,ausência,saudade ... palavras, só isso!?

mas são elas que nos adormecem os sentidos

que nos devoram os pensamentos

que se escondem num casulo em silêncio envergonhado...dorido

cortando tantas vezes o fio dos afectos que tecem cada retalho da vida...

e se estas palavras persistirem, a serem, sinónimas no coração, que sejam ...

é porque já nos perdemos de nós...

então,é tempo de regresso, de  voltar

secar a chuva miudinha, atravessar a névoa, afastar a ventania...

e  de vagarzinho desimpedir o caminho de invernias que sentimos

e aceitar a ternura que ainda temos

e que os olhos nem sempre conseguem ver

e o caminho reinventa-se na esperança

faz-se em nós.

vai-se fazendo em mim

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publicado por dolce_vita às 20:28


10 comentários

De João Cordeiro a 12.12.2007 às 12:37

Ausência, solidão... nostalgia... sentimentos cada vez mais reais nas nossas vidas.


Dedico-te este poema:


Já nada me resta!


Já nada me resta esta noite, será mais uma, sento-me nas escadas, a chuva cai ruidosamente molhando-me, que caia cada vez mais de modo a disfarçar a dor e as lágrimas que assolam a minha face.


Espero-te como na noite anterior, rosto cravado no chão de onde os pingos de chuva vão levantando pedaços de terra, mãos frias recebendo a chuva, abertas, prontas para te receber a ti se vieres...


Se vieres esta noite, meu eu embutido, estranho ser que julguei ter, se vieres hoje o meu madrugar fará sentido senão que mais de mim restará senão a memória feliz de ter-te a sussurrar-me ao ouvido só por uma vez um "Gosto-te!"?


Já nada resta esta noite, só me vejo nos charcos, a cara disfarçando a dor com um pouco de esperança que o vento frio ainda me traz.

Andarás perdida?

Não saberás o caminho até mim?

A rua é a mesma, o caminho é o mesmo.

Esta noite já não me presta e se algo nesta noite resta é esta espera desassossegada que enlouquece deveras.

Premi-te que te diga, pela última vez que seja.

Gosto-te simplesmente amiga, ser desconhecido que encontrei no meu caminho...

Gosto-te porque conseguiste chegar até mim.

Uma vez mais imploro-te, se esta dor que hoje sinto for para continuar, rogo-te que não mais venhas trazer-me a esperança que me faz hoje enfraquecer e resfriar gemendo de dor.


Sabes que estarei aqui, mesmo que diga que não, mesmo que implore que vás, sabes que estarei sempre aqui e aí, no teu coração, para onde quer que vás.


http://a-traicao-do-eu.blogspot.com/

De dolce_vita a 12.12.2007 às 23:39

Amigo,como se agradece tal presente?
uma caixinha cheia de esperança,embrulhada na textura dos sonhos e com laço de ternura.
muito obrigada,farei por merecer tal poema.
um abraço

De angel a 12.12.2007 às 16:01

Olá Dolce....

A ausência pode ser por vezes dolorosa...por isso é que gosto de sonhar..torna-nos sempre um pouco mais proximos...lindas as suas palavras...espero que esteja tudo bem...desejo um bom resto de semana..e deixo um beijinho muito doce...

"Solidão,ausência,saudade ... palavras, só isso!?

mas são elas que nos adormecem os sentidos

que nos devoram os pensamentos

que se escondem num casulo em silêncio envergonhado...dorido

cortando tantas vezes o fio dos afectos que tecem cada retalho da vida..."

adorei esta parte......tão verdadeira...beijinhos



De dolce_vita a 12.12.2007 às 23:50

olá Angel
Cada vez mais,são estes os sentimentos que nos acompanham...que nos forçam a pôr nas palavras tristeza e desilusão...algum desencanto.Mas apesar de tudo,não me sinto infeliz,porque aproveito cada momento feliz para revitalizar a alma.
Um beijinho

De . a 13.12.2007 às 10:22

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Fernando Pessoa

De daplanicie a 13.12.2007 às 13:18

Lindos poemas. Gosto muito do Carlos Drummond de Andrade.
Beijinhos

De zita a 13.12.2007 às 17:55

A ausência é muito triste, mas o consolo possivel é o facto de estarmos vivos, de podermos contribuir de algum modo para a felicidade de outros mesmo sendo incognitos.
Eu também sinto essa falta de algo, inexplicável, o vazio. É muito dificil.
Bom resto de semana

De dolce_vita a 16.12.2007 às 17:59

"...podermos contribuir de algum modo para a felicidade do outro mesmo sendo incógnitos."
Que grandeza de pessoa está desse lado.
A Zita disse tudo.
muito obrigada
uma boa semana
Rosa

De Super Bock a 14.12.2007 às 16:20

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De Loirinha a 16.12.2007 às 20:40

Lindo lindo lindo!
obrigada por porporcionares textos tão lindos..

beijinhos

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